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Yoga Integral
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“Sentir e amar o Deus da beleza e do bem no feio e no mal, e ainda ansiar em absoluto para curá-lo de sua feiura e de seu mal, isso é verdadeira virtude e moralidade”.

Sri Aurobindo


Como alguém pode colaborar na cura do mal e da feiura vista em toda parte? Por amar? Qual é o poder do amor? Que efeito pode uma consciência individual, agindo sozinha, ter no resto da humanidade? Podemos dizer que há uma espécie de escala hierárquica de colaboração ou ação; uma cooperação negativa e uma cooperação positiva.

Para começar, existe o que poderia ser chamado de caminho da negação (a maneira exposta pelo budismo e religiões semelhantes): a recusa em ver. Estar em um estado de tanta pureza e beleza que não há percepção do mal e da feiura. É como algo que não toca em você porque não existe em você. Isto é a perfeição do método negativo. 

É bastante elementar: nunca tome conhecimento do mal, nunca fale do mal presente nos outros, nunca perpetue as vibrações do mal, seja observando, criticando ou dando atenção indevida à ação do mal. Isto é o que Buda ensinou: cada vez que você menciona um mal, ajuda a espalhá-lo.

Os críticos terão uma resposta: "Se você não vê o mal, nunca pode curá-lo. Se você deixar alguém entregue à sua miséria, ele nunca sairá dela”. (Não é exatamente verdade, mas é como eles legitimam suas ações). Sri Aurobindo antecipou essas objeções: não é por ignorância, inconsciência ou indiferença que você deixa de ver o mal - você pode vê-lo e até senti-lo, mas se recusa a colaborar na sua propagação dando-lhe a força da sua atenção ou o apoio da sua consciência.  

E para isso, você deve estar acima da percepção e sensação – apto a ver o mal ou a feiúra sem sofrer, sem se sentir chocado ou perturbado. Você os vê de uma altura em que essas coisas não existem, mas você tem a percepção consciente delas. Elas não afetam você, você é livre. Este é o primeiro passo.

0 segundo passo é ser POSITIVAMENTE consciente da Bondade e Beleza supremas por trás de todas as coisas e apoiar todas as coisas, permitindo que elas existam. Uma vez que você o tenha visto (o Supremo), você pode percebê-lo por trás da máscara e da distorção – mesmo da feiura, a crueldade e o mal. Algo que é essencialmente bom ou bonito, luminoso, puro.

Com isso, vem a colaboração VERDADEIRA. Pois quando você tem essa visão, essa consciência, quando você vive nessa consciência, você também tem o poder de PUXÁ-LA para a manifestação na Terra e colocá-la em contato com o que, por enquanto, distorce e disfarça; assim, a deformação e o disfarce são gradualmente transformados pela influência da Verdade por trás. Aqui estamos no topo da escala da colaboração. 

Mas se queremos conhecer ou entender a natureza da Força ou Poder que permite e conclui essa transformação (especialmente no caso do mal, mas também da feiúra até certo ponto), vemos que de todos os poderes o amor é obviamente o mais poderoso, o mais integral - integral na medida em que se aplica a todos os casos. É ainda mais poderoso que o poder da purificação - que dissolve as más intenções e é, de certa forma, o mestre das forças adversas, mas que não tem o poder de transformação direta; porque o poder da purificação deve PRIMEIRO dissolver para formar novamente mais tarde. Destrói uma forma para torná-la melhor, enquanto o Amor não precisa dissolver para transformar: ele tem o poder de transformação direta.

O amor é como uma chama transformando o rígido em maleável, depois sublimando até o maleável em uma espécie de vapor purificado. Não destrói: transforma. O amor, em sua essência e em sua origem, é como uma chama branca que elimina TODAS as resistências.

Você pode ter a experiência por você mesmo: seja qual for a dificuldade do seu ser, seja qual for o peso dos erros acumulados, a ignorância, a incapacidade, a má vontade, um único SEGUNDO DESTE AMOR - puro, essencial, supremo - derrete tudo em sua chama onipotente. Um único momento e um passado inteiro podem desaparecer. Um único TOQUE disso em sua essência e todo o fardo é consumido.

É fácil entender como alguém que tem essa experiência pode contagiar e agir sobre outras pessoas, desde que, para tê-la, você deve tocar a Essência única e suprema de toda a manifestação - a Origem e a Essência, a Fonte e a Realidade de tudo o que é; então você entra imediatamente no reino da Unidade, onde não há mais separação entre indivíduos: é uma única vibração que pode se repetir infinitamente em formas externas.

Se você subir alto o suficiente, você chega ao Coração de tudo. Tudo o que se manifesta neste Coração pode se manifestar em todas as coisas. Este é o grande segredo, o segredo da encarnação divina em uma forma individual. 

Tudo o que este ser percebe e conscientemente oferece à Vontade suprema é respondido como se viesse de cada ser individual. E se os indivíduos estiverem de uma forma mais ou menos consciente em uma relação voluntária com este representante esta relação aumenta sua eficácia e a Ação suprema pode funcionar na Matéria de uma maneira muito mais concreta e permanente. Essa é a razão para essas descidas do que poderia ser chamado de consciência "polarizada" que sempre vem à Terra para uma determinada realização, com um propósito e missão definidos - uma missão decidida antes da incorporação real. Estes marcam os grandes estágios das encarnações supremas na Terra.

E quando chegar o dia da manifestação do Amor supremo - uma descida cristalizada e concentrada do Amor supremo – esta será verdadeiramente a hora da Transformação, pois nada será capaz de resistir a isso. Mas como é todo-poderoso, uma certa receptividade deve ser preparada na Terra para que seus efeitos não sejam devastadores.

Sri Aurobindo explicou isso em uma de suas cartas. Alguém perguntou a ele: 'Por que esse Amor não vem agora?', E ele respondeu algo assim: Se o Amor divino em sua essência se manifestasse na Terra, seria como uma explosão; pois a Terra não é suficientemente maleável ou receptiva o suficiente para ampliar-se na mesma medida que este amor. 

A Terra não deve apenas se abrir, mas tornar-se ampla e flexível. A matéria - não apenas a matéria física, mas também a substância da consciência física - ainda é muito rígida. 

A Mãe (Mirra Alfassa) em Agenda, Vol.II




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